Miro as águas profundas....

Texto de J. Alves postado em 06/07/2011

Volta... Assim é o amor...

 

(Segue... Minha paz é quase nada...)

 

Miro as águas profundas

de meu viver

isco o anzol de meus pesares

mergulho a linha

neste momento de meu ser:

pesco sonhos, pesco lembranças,

pesco a mim mesmo

em meus pensamentos.

 

Há muitos peixes pastando

as algas no fundo de mim.

Há peixes grandes

criados ao longo tempo,

peixes graúdos que nem nunca vi.

 

Fico quieto, à beira-margem de um rio sem fim,

isco mais uma vez o anzol, jogo a linha

à procura de mim;

vislumbro apenas a sombra de meu

rosto se desfazendo e se recompondo

à superfície como um peixe grande

que sobe rápido e morde alguma coisa

à flor da água e desaparece nas profundezas

e se esconde nas entranhas

que a própria vida cavou em mim.

 

Não importa o tempo que passa,

nesta altura da vida

já aprendi a paciência das linhas embaraçadas,

das cordas arrebentadas

e dos anzóis engastalhados,

dos mosquitos que me açoitam em nuvens

 e da bicharada que desperta ao anoitecer;

não  me preocupo com as raízes

e galhos e seixos que os ventos e as enxurradas

verteram incrementes nesta lagoa

entre tantas outras tão igual

e ao mesmo tempo tão diferentemente

como um rosto amado que entre mil rostos

não se mistura nem se confunde

e o que faço na vida não é outra coisa

senão eternamente pescar

entre tantos amores o meu amor primeiro

e nele resgatar minha eterna vontade de viver.

 

23/11/2007

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