(Segue... Minha paz é quase nada...)
Miro as águas profundas
de meu viver
isco o anzol de meus pesares
mergulho a linha
neste momento de meu ser:
pesco sonhos, pesco lembranças,
pesco a mim mesmo
em meus pensamentos.
Há muitos peixes pastando
as algas no fundo de mim.
Há peixes grandes
criados ao longo tempo,
peixes graúdos que nem nunca vi.
Fico quieto, à beira-margem de um rio sem fim,
isco mais uma vez o anzol, jogo a linha
à procura de mim;
vislumbro apenas a sombra de meu
rosto se desfazendo e se recompondo
à superfície como um peixe grande
que sobe rápido e morde alguma coisa
à flor da água e desaparece nas profundezas
e se esconde nas entranhas
que a própria vida cavou em mim.
Não importa o tempo que passa,
nesta altura da vida
já aprendi a paciência das linhas embaraçadas,
das cordas arrebentadas
e dos anzóis engastalhados,
dos mosquitos que me açoitam em nuvens
e da bicharada que desperta ao anoitecer;
não me preocupo com as raízes
e galhos e seixos que os ventos e as enxurradas
verteram incrementes nesta lagoa
entre tantas outras tão igual
e ao mesmo tempo tão diferentemente
como um rosto amado que entre mil rostos
não se mistura nem se confunde
e o que faço na vida não é outra coisa
senão eternamente pescar
entre tantos amores o meu amor primeiro
e nele resgatar minha eterna vontade de viver.
23/11/2007
Conheça e compre os livros do autor J.Alves
Se você é um escritor, cadastre-se e participe dessa comunidade.
© Copyright - www.bornaldasletras.com.br - Todos os direitos reservados.