XVI
Ariam jurasse para o Avô que houvesse escutado reboliços estranhos a pouca distância de onde estivessem. Uma estranha movimentação no lusco-fusco em que se pudessem perceber vultos correndinhos e saltitantes desaqui e desali. Pudessem ser os macaquinhos! Um cheiro forte de pito se exalasse pelos ares!... Ariam jurasse mais uma vez que de fato tivesse escutado ruídos de passos estalando as folhas secas contra o chão. Quem pudesse ser? Pudesse ser algum gato ou cão vadios! Houvesse jurado pela terceira vez acrescentando detalhes: “Posso estar enganada, mas é o Saci, de verdade! Eu juro que vi ele com o cachimbo aceso na boca e o gorro vermelho na cabeça!” Mas, depois, hesitasse: não tivesse tanta certeza assim. Nada fosse claro naquelas sombras, exceto o cheiro forte de pito!... Ou fosse o Curupira fazendo a vigilância na floresta? (Na escola Ariam houvesse aprendido que o Curupira fosse “um moleque de cabeleira vermelha, de pés invertidos: dedos para trás e calcanhar para frente. Fosse o protetor das árvores e da caça, senhor dos animais que habitassem a floresta. Antes das grandes tempestades percorresse a floresta dos fundos até as cabeceiras, batendo nos troncos das árvores, certificando-se de sua resistência”. Mas ninguém tivesse afirmado que ele pitasse!? “O que você viu bem pode ser um desses gatos ou cães vadios, ou qualquer outro animal desvalido, sem dono, que costumam divagar pelos parques!... Isso acontece muitas vezes! É perfeitamente normal!...”, quisesse acalmá-la o Avô. “Mas... e esse cheiro forte de pito?!”, quisesse saber JR.
Não tivesse demorado, a escuridão desmaecesse, e uma clareira de luz fosse se conformando, desali, a distância de um desassobio, a umas dezenas de metros de onde se encontrassem, dando surgimento, como que por encantamento, a uma estranha figuração. Dessa vez todos, principalmente os meus escribas de canetas verdes de tinta preta, pudessem ver com os próprios olhos. Temeroso de perder algum detalhe, com minha costumeira impulsividade, eu ordenasse que eles anotassem tudo! Eu gesticulasse e acenasse para eles escrevendo na minha própria mão: “Vamos! Vamos! Vamos, registrem tudo! Tudo! Tudo!” Eu lhes ordenasse até mesmo com certa severidade e ênfase desnecessárias, pois visse que todos se esforçassem para além de seus limites... A visagem emergisse, pois, como minúsculo ponto de luz que aos poucos e cada vez mais houvesse se expandido, agigantando-se à frente de seus olhos embevecidos e desbordando a sua visão.
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